Cristina Ferreira

segunda-feira, 8 de maio de 2017

Ex Amiga (Citação)



 Acho que talvez você não vá se lembrar de mim, mas vou fazer o possível pra chegar o mais próximo das lembranças que deixamos para trás. 
 Lembra quando você era a aluna nova, e eu lhe trouxe para meu grupo? Se lembra de como nos tornamos inseparáveis? Compartilhávamos segredos,  sorrisos, e até lágrimas. Eu sabia que poderia contar contigo,  e sempre estive com você em qualquer momento. Era eu quem lhe defendia quando todos diziam que você era uma garota fácil, quando lhe chamavam de piriguete ou até coisa pior. Fui eu quem chorou suas lágrimas,  quando seu pai a tirou pelos cabelos de uma festinha. Eu sempre estive lá por você, e achava que tu também estaria lá por mim... 
 Mas novas amigas chegaram,  e eu não mudei,  continuava sendo a amiga tímida,  companheira e talvez certinha demais pra você.  Tudo bem,  eu sei.  Eu não era o tipo de garota que conversava com os garotos,  ou saía escondido dos meus pais,  mas nossas novas amigas eram,  e foi assim que você começou a se afastar. Não lembro o momento exato em que nosso laço se rompeu,  ele foi se desligando aos poucos.  Já não saiamos tanto juntas,  pelo contrário,  agora você costumava fazer programas secretos com suas novas amigas,  aquelas que também estavam na mesma vibe  que você.  E o oposto de mim. 
 Então você se foi,  talvez tenha repetido de ano,  ou mudado para uma sala de recuperação,  sinceramente não me lembro. Sua nova melhor amiga engravidou e parou de ir à escola.  Eu continuei com o mesmo grupo de antes, agora sem você,  uma das meninas se tornou minha grande melhor amiga até hoje!  Você até tentou se reaproximar,  mas eu estava machucada demais,  não consegui abrir espaço na minha vida para você. Não novamente. 
 Mas a ferida demorou a cicatrizar,  eu me sentia traída,  excluída e trocada como se fosse um brinquedo velho. Doeu,  mas passou. Tudo passa. 
 Seguimos caminhos diferentes,  sonhos distintos,  até perdermos  qualquer contato. As notícias sobre você se tornaram cada vez menos constante,  até parar completamente. 
 Anos depois te vi no ônibus,  você não mudou nada. Sorriu para mim timidamente,  como a primeira vez que a vi. Mas agora fazia parte de um passado, do qual eu já me despedi.

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